A inteligência artificial parece não ter limites, mas tem. O desenvolvimento da tecnologia pode bater no teto em breve – na verdade já está alcançando algumas barreiras, segundo o chefe de IA do Facebook, Jerome Presenti. Em entrevista à Wired, ele falou sobre os desafios, oportunidades e empecilhos para que o recurso ganhe mercado nos próximos anos. 

Para Presenti, ainda se está muito longe da inteligência humana e as críticas feitas ao modelo são válidas, como a propagação de vieses humanos, dificuldade para explicar e falta de senso comum. “É mais no nível de correspondência de padrões do que no entendimento semântico robusto”, avalia.

Os desenvolvedores de IA estão conseguindo atacar esses problemas. A principal limitação, ou a mais latente hoje, é escalar o deep learning. “O campo ainda está progredindo muito rápido. Você pode aplicar o deep learning à matemática, ao entendimento de proteínas, há muitas coisas que você pode fazer com isso”, observa Presenti. Conforme o processo vai ganhando escala, o cumprimento de tarefas se torna mais fácil e rápido. O problema é que a taxa de progresso não é sustentável. 

“Se você observar as principais experiências, a cada ano o custo aumenta 10 vezes. No momento, um experimento pode ter sete dígitos, mas não vai chegar a nove ou dez dígitos, não é possível, ninguém pode pagar por isso”, pondera Presenti.

Aí está uma das paredes onde o desenvolvimento da inteligência artificial pode bater. Aliás, na visão do especialista algumas delas já foram atingidas. Chegou a hora de pensar na otimização em termos de custo-benefício.

O chefe de IA do Facebook também falou sobre o trabalho do laboratório que comanda. Provocado sobre o desenvolvimento de AGI (artificial general intelligence), disse que considera falsa a premissa de que ela corresponde à inteligência humana, pois esta não é “muito geral”. Presenti rechaça também a ideia de singularidade na AGI, por não haver um modelo viável para isso. “Nosso objetivo [no laboratório] é alcançar a inteligência humana. Ainda estamos muito, muito longe disso, mas achamos que é um grande objetivo”, explica. 

E assim segue o trabalho do Facebook, que aplica IA em tarefas como controle de postagens ofensivas, filtros de realidade aumentada e análise de vídeos deepfake. Algumas batalhas ainda não foram vencidas, resta esperar que as paredes vistas por Presenti não o impeçam de atingir tais objetivos. 

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