Confirmado para janeiro de 2020, ou seja, daqui a pouco mais de um mês, o fim das atividades do Python 2 deve ser mais uma daquelas dores de cabeça que os programadores conhecem bem. Isso porque abandonar uma linguagem exige uma série de cuidados e esforços, caso contrário as coisas param de funcionar – aos poucos ou de uma só vez.

O fato é que a mudança preocupa não apenas quem mete a mão na massa, mas também entidades como a National Cyber Security Centre (NCSC), do Reino Unido. Em agosto, eles emitiram um alerta para que grandes empresas e organizações cuidassem da migração antes que o serviço fosse descontinuado. Um dos problemas é que o código deixa de receber atualizações de segurança, e o Python 2 é muito utilizado pelo setor bancário – provavelmente o principal alvo do recado. 

Para se ter uma ideia, o Python 3 foi lançado no já longínquo ano de 2008. Seis anos depois, em 2014, o criador da linguagem, Guido van Rossum, já alertara que era hora de migrar para a terceira geração. 

São especuladas algumas razões para que a comunidade ainda não tenha feito isso. 

  1. Incompatibilidade com o Python 2
  2. Poucas mudanças de uma versão para outra, segundo o próprio criador
  3. Dificuldade para garantir que todas as bibliotecas também tenham feito a troca

Em contrapartida, é possível listar uma série de motivos para respirar fundo e encarar o desafio:

  1. Python 3 é uma linguagem melhor e com mais recursos, facilitando a vida de quem quer criar um sistema que gerencie diversas tarefas ao mesmo tempo
  2. A falta de atualizações de segurança é um risco que, mais cedo ou mais tarde, vai dar dor de cabeça
  3. Plataformas como Dropbox, Facebook e Instagram já fizeram migrações consideráveis nos últimos anos

A cientista de dados Vicki Boykis alerta para o fato de que, em setembro deste ano, pelo menos 40% dos pacotes baixados do The Python Package Index (PyPI) eram da versão 2.7. A menos de dois meses do fim da linguagem, o número ainda impressiona.

Segundo Boykis, grandes corporações respondem mais lentamente do que se imagina a essas mudanças de linguagem. “A maioria dos grandes bancos ainda está executando algumas variações do Fortran e do COBOL, por exemplo”, observa. Para se ter uma ideia, um artigo do site Sempre Update conta que a plataforma Athena, do JPMorgan, supostamente é construída em 35 milhões de linhas de código Python 2.7. 

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