A julgar pelo protesto de cerca de 200 funcionários no final de novembro, o Google fechou definitivamente a porta para críticas internas e deixou de lado uma cultura de transparência e confiança.

Os empregados da gigante de tecnologia gritaram contra a suspensão de dois colegas por, segundo eles, terem criticado a companhia.

Coincidência ou não, dois dias após o protesto uma das pessoas afastadas, Rebecca Rivers, acabou demitida. Junto dela, outros três funcionários.

Para os empregados que protestaram, o Google quer intimidá-los para evitar novas críticas externas sobre posturas relacionadas principalmente à transparência e à relação com o governo. A política da companhia contra discursos de ódio também deixa a desejar, na visão deles.

Para o Google, as demissões dos quatro profissionais foram motivadas pela conclusão de investigações sobre bisbilhotagem de materiais, agenda e trabalho de colegas. Ou seja, “segurança da informação”. É o que indica um memorando interno obtido pelo site Bloomberg News.

Nada a ver, portanto, com caça às bruxas. Será mesmo?

Um dos funcionários suspensos, Laurence Berland, saiu atirando contra a companhia. Segundo o jornal Los Angeles Times, ele disse o seguinte:

“Não é sobre eu, Rebecca ou outra pessoa… Eles estão nos retaliando contra nós porque querem intimidar qualquer um que ouse discordar da liderança. Eles nos querem com medo e silenciosos.”

A mudança de postura do Google teria a ver com alteração de status da companhia, que deixaria a cultura do Vale do Silício para ser uma gigante global. Nesses novos tempos, os funcionários reclamam que ficou difícil aplicar o Código de Conduta do Google, que se encerra da seguinte maneira:

“E lembre-se: não seja mal, e se você ver algo que você pensa que não é correto – diga.”

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