Não adiantou apagar: o Google deixou escapar, em pesquisa publicada no site da NASA, que pode ter alcançado um marco histórico não apenas na tecnologia, mas para a humanidade. Segundo apurado pelo Financial Times e pelo Estadão, o chip quântico Sycamore teria resolvido em três minutos e vinte segundos um sistema de números aleatórios que o Summit, da IBM, levaria 10 mil anos para compreender – o Summit é considerado o computador mais potente que existe.

A própria IBM, aliás, contestou o resultado. Ao Times, o chefe de pesquisa da empresa, Dario Gil, disse que a pesquisa está errada porque um computador que se destina a resolver um único problema não se presta a “diferentes propósitos”. 

A expectativa é de que a IBM leve soluções quânticas ao mercado na próxima década. Nessa corrida, o Google já havia anunciado em 2018 um processador de 72 qubits, mas devido a instabilidade a capacidade foi reduzida para 53 qubits – o que já é muita coisa

Um dos desafios consiste no fato de os qubits manterem estados quânticos por uma fração de segundo. Outro problema é que para trabalhar com essa capacidade eles precisam de um ambiente mais gelado do que o espaço sideral: -272,99ºC.

O desenvolvimento desses processadores deve impactar de forma inédita o modo como nos relacionamos com diversas rotinas. A inteligência artificial é a mais latente, mas setores como a saúde e os negócios devem se transformar com a inimaginável capacidade de calcular das novas máquinas. 

Segundo o Financial Times, o Google retirou o artigo do ar porque a ideia é publicar a notícia na capa de uma conceituada publicação de ciência, em outubro.

Como funciona

A computação ainda trabalha com sistemas binários, já a computação quântica surge com uma série de números contidos entre 0 e 1. São os qubits, que tomam o lugar dos bits, aumentando exponencialmente a capacidade de traçar cenários e, principalmente, testar hipóteses. Fazendo tudo isso simultaneamente, a velocidade e a qualidade das respostas são praticamente infinitas. 

“Lidar com uma máquina que consegue olhar todas as possibilidades ao mesmo tempo é um poder que ainda não temos noção de como usar”, comentou o Ph.D em ciência da computação Anderson Machado em entrevista à publicação Educação em Revista, no ano passado. 

“Precisamos da computação quântica para simular a natureza. Isso vai ser fundamental para a descoberta, entre outras coisas, de novos medicamentos”, afirmou o vice-presidente da IBM Robert Sutor, no início deste ano. Doutor em matemática, ele é responsável pelo trabalho da empresa nessa área. 

A consultoria Gartner defende que entre cinco e dez anos o mundo dos negócios tenha a computação quântica na fase de “uso produtivo”, segundo sua escala de adoção de tecnologias – passando antes pelas expectativas exageradas e o vale das decepções.

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