O Google por vezes parece atrasado em relação ao desenvolvimento de ferramentas com inteligência artificial (IA), o que é estranho para uma empresa reconhecida justamente pela abertura que sempre deu a suas tecnologias. A explicação parece estar na segurança. 

Há cerca de um ano, por exemplo, a equipe que cuida das ferramentas de nuvem do Google divulgou que não iria oferecer serviço de reconhecimento facial para uso dos clientes. A razão alegada foi a preocupação com o potencial de abuso, ou seja, invasão de privacidade e uso inadequado dos dados. 

Enquanto isso a concorrência não para de acelerar. Amazon e Microsoft recentemente pediram a regulamentação, nos Estados Unidos, do reconhecimento facial automatizado – as duas empresas já oferecem essa possibilidade há alguns anos. Os dados são utilizados inclusive pelos governos – alguns estados utilizam os algoritmos para procurar suspeitos em bancos de imagens.

Em artigo, a Wired lembra outras pistas que levam a crer que o Google segura a onda quando o assunto é IA. No fim de outubro foi apresentado serviço de reconhecimento facial que identifica celebridades, o que as duas concorrentes citadas há pouco fizeram em 2017. Como se não bastasse chegar atrasado, a ferramenta do Google ainda traz sérias restrições sobre quem pode utilizá-la. Segundo a empresa, o limite foi estabelecido levando em consideração um conjunto de princípios éticos lançado no ano passado.  

O cuidado é tanto que. para usar o serviço. o cliente precisa assegurar que é uma empresa ou parceiro de mídia estabelecido e que a tecnologia será aplicada apenas em conteúdos de vídeo produzidos profissionalmente, como filmes, programas de TV e eventos esportivos.

É interessante ver que uma gigante como o Google se preocupa com o uso da IA, mesmo que isso atrase a ida de suas tecnologias para o mercado – e, pior ainda, fique atrás da concorrência. 

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