O que me fez mudar o foco da minha carreira de dev após cinco anos de profissão

Se você veio até esse artigo é bem provável que esteja se perguntando porque eu mudei o foco da minha carreira, esteja se identificando com o momento ou apenas curiosidade mesmo. Então, aqui vai um grande overview desse bom tempo sem escrever aqui no portal.

Depois dos meus dois últimos (e primeiros) artigos aqui no portal, aconteceram muitas coisas, afinal, já faz um bom tempo. Palestrei na Braziljs 2017 sobre Vue.js e PWA, prometi escrever mais artigos aqui e acabei não escrevendo pelo principal motivo: entrei em reta final da faculdade, me envolvendo de fato com a tão esperada ~ só que não ~ fase de TCC, trabalhando 8h e 30min, viajando no mínimo 2h por dia, dormindo em média 4h por noite e, como esperado, vivi um grande inferno astral e crises existenciais. E, no meio delas, a crise profissional.

O início

Desde quando comecei a estudar a área de programação, em 2013, eu sempre fui apaixonada pelo front-end e, desde então, sempre me dediquei muito a essa carreira. Estudei, conheci, palestrei e escrevi sobre frameworks, trabalhei com alguns, me desafiei, expandi meus conhecimentos, participei de hackathons (que venci) e, depois de algum tempo estudando e correndo insanamente atrás da profissional ideal que eu gostaria de ser – sabendo tecnologias x,y e z, vi que a área de desenvolvimento front-end era linda, porém cansativa. Nesse momento, eu estava entre uma crise de “eu amo, quero continuar” e “eu não quero mais, nunca vou ser a profissional que realmente almejo”, com aquela querida síndrome do impostor abrigada em mim.

Bem, no início dessa crise, terminando minha participação em um projeto no qual trabalhei como líder técnica e front-end, eu fui convidada a fazer parte de uma nova frente inovadora da empresa, uma área de desenvolvimento de produtos que utiliza a prática Lean e tem como foco escala global (tarefa hard, apaixonante e que daria outro artigo). O time – composto por um front-end, um arquiteto, um UX e dois gestores (de desenvolvimento e business) – era representado por pessoas que buscavam a inovação, traziam as diretrizes da empresa consigo e representavam a sua área. Com isso, fiquei muito animada e parti para essa nova jornada.

Novas oportunidades

Logo de cara, me avisaram que poderia não ter código de início, pois íamos trabalhar muito com pesquisa e validação, até aí tudo ok para mim. Nos dois primeiros meses, juro que eu achava todos os workshops de ideação, pesquisas e dinâmicas para solucionar problemas e tantas outras coisas – tudo muito “não necessário” para mim, porém não conseguia me identificar totalmente com o projeto e o que queria mesmo era partir para o código. Esperado, né? Afinal, a maioria dos devs tem uma visão mais “prática” das coisas. Entretanto, um mês depois, o jogo virou.

Comecei a me apaixonar pelo o que eu estava fazendo. Cheguei a fazer uns tweets há alguns dias, falando sobre minha percepção atual de desenvolvimento. Foi assim que eu comecei a encontrar realmente um sentido em me envolver com código front-end, com tecnologias de que gostava de uma maneira saudável, desenvolvendo PoCs e o tão querido “descanso” do código e da busca infinita e incansável pela perfeição de profissional front-end.

Eu nunca me defini uma profissional 100% técnica. No local onde trabalho, sempre foi destacado meu perfil de liderança misturado com qualidade técnica. Portanto, juntamente com isso, decidi agregar minha nova parte – o interesse pela profissão de UX.

Mas, peraí, Milene, quer dizer que tu estás abandonando o front e se tornando uma UX product designer ou seja-lá-o-que-for?

Novo foco

Não exatamente. 🙂 O que eu busco hoje é realmente a mistura de lidar com código, liderar e ainda ter experiências em UX. Acabei amando fazer pesquisas, cuidar da parte do usuário, entender todo o cenário em que está contido o produto desenvolvido, cuidar da estratégia, do design e, com isso tudo, por fim, olhar para o código. Então, desde o início deste ano, eu tenho pesquisado, estudado e também focado muito no desenvolvimento da minha carreira na área.

A área de UX é muito rica e, ao mesmo tempo, MUITO essencial. Estou tendo a oportunidade de trabalhar com uma UX maravilhosa <3 que me influenciou muito (e acho que nem sabe disso) a encontrar essa nova paixão e que me mostrou, dando vários “tapas na cara”, que desenvolver algo sem a presença desse tipo de atividade pode ser um erro fatal para o produto ofertado.

Por fim

A conclusão da história: já faz quatro meses que estou trabalhando no projeto e realmente não consigo mais me imaginar trabalhando somente com código – provavelmente, eu enlouqueceria. A Milene que achava que muitas coisas “não eram muito necessárias” levou um grande tapa na cara e descobriu uma nova paixão entre o desenvolvimento e tudo o que pode envolver a área de UX. Já entreguei o TCC, o fim do inferno astral chegou e, finalmente, posso focar naquilo que realmente vem fazendo sentido para mim – já tenho até um backlog cheio de cursos e livros da área que estão ganhando minha atenção.

Provavelmente você, front ou profissional da área, que esteja lendo isso, se identifica MUITO com tudo que eu disse e a) está vivendo uma crise existencial; b) está no fim da faculdade ou c) todas as alternativas anteriores. Pode ter certeza de que isso passa e que a hora que passar, você vai abrir muitos horizontes e poderá enxergar um novo profissional depois disso tudo, descobrir novas paixões além de coragem para mudar, virar a página.

Boa sorte 🙂

“Your life does not get better by chance, it gets better by change.” – Jim Rohn


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