Depois de deixar a informação escapar em setembro, o Google anunciou oficialmente o que já é considerado um marco histórico: o chip quântico Sycamore desvendou em 3 minutos e 20 segundos um enigma que o computador mais potente do mundo (o Summit, da IBM) levaria 10 mil anos. A pesquisa foi publicada na edição mais recente da revista científica Nature. Agora é possível entender como a empresa e seus parceiros no estudo chegaram ao surpreendente resultado.

A divisão de computação quântica do Google Research dedicou cinco anos à pesquisa, com a colaboração de instituições como a estação espacial americana e universidades dos Estados Unidos e da Alemanha. Ao todo, 76 pesquisadores de 10 instituições trabalharam no projeto.

O envolvimento de tanta gente se justifica. Quando o site da NASA vazou a informação, comentamos o quanto é complicado trabalhar com chips quânticos – já que exigem condições bem específicas para funcionar, como temperatura de -272,99ºC. 

O chip quântico tem 53 qubits, unidades de informação que conseguem assumir valores entre 0 e 1, diferente dos bits. Embora meça cerca de dois centímetros, precisa de uma estrutura de 1,80 metro de altura e 60 centímetros de diâmetro. Além disso, cada qubit demandava a conexão de três cabos (totalizando 159 fios). 

Segundo o Estado de S. Paulo, demorava semanas para rodar cada experimento porque os qubits precisavam ser recalibrados, o que já levava algumas horas, e depois os cientistas precisavam levar os dados até um supercomputador convencional que faz simulação quântica. Aí eram mais alguns dias esperando o resultado. As dezenas de pesquisadores se dividiram entre equipes de fundamentação teórica, experimentos, coleta e análise de dados.

Ao Estado, a pesquisadora de informação quântica Bárbara Amaral afirmou que a pesquisa renova o fôlego dos estudos na área – que, segundo ela, já tinha sua viabilidade posta em xeque. “O feito traz uma mensagem de esperança para quem é da área. Tem muito tempo que os cientistas estão atrás disso. O que eles fizeram é muito difícil e requer muito investimento”, explicou a estudiosa do Instituto de Física da Universidade de São Paulo.

Já o pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisa Física Ivan Oliveira saudou o que chama de feito histórico. “É um desenvolvimento tecnológico que vem sendo construído ao longo dos últimos 20 anos que emprega técnicas de nanociência e nanofabricação, além de uma técnica de controle incrível”, afirmou ao Estado o cientista do órgão federal ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

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